É
muito comum que algumas pessoas me procurem pedindo psicoterapia
quando, na verdade, o que elas precisam é de uma avaliação psicológica.
Não é estranho que exista essa confusão, porque ambos os serviços são realizados por psicólogos. Mas eles têm objetivos completamente diferentes.
A psicoterapia é um processo de acompanhamento.
Ela é indicada para quem deseja compreender melhor suas emoções,
pensamentos e comportamentos, enfrentar dificuldades, desenvolver
estratégias para lidar com problemas e promover mudanças ao longo do
tempo.
As sessões acontecem de forma contínua, respeitando as
necessidades e os objetivos de cada pessoa. Não existe um número fixo de
encontros, pois o foco é o processo terapêutico.
Já a avaliação psicológica tem um objetivo específico: responder a uma pergunta ou investigar uma determinada condição.
Para
isso, o psicólogo realiza entrevistas, observa aspectos do
comportamento e, quando necessário, utiliza testes psicológicos. Ao
final, elabora um documento técnico, como um laudo, parecer ou
relatório, de acordo com a finalidade da avaliação.
Existe
ainda um ponto importante: quando uma pessoa precisa de uma avaliação
psicológica, PRECISA QUE SEJA por um psicólogo diferente daquele que faz
sua psicoterapia.
Isso porque a psicoterapia é
baseada em uma relação terapêutica de acolhimento, confiança e
acompanhamento contínuo, enquanto a avaliação psicológica exige um
posicionamento técnico diferente, com procedimentos específicos e uma
análise objetiva da demanda.
Separar essas funções ajuda a
preservar tanto a qualidade da avaliação quanto o processo terapêutico,
evitando conflitos entre os diferentes papéis desempenhados pelo
psicólogo.
Por exemplo, quando alguém precisa saber se apresenta
sinais de TDAH, autismo, altas habilidades, comprometimento cognitivo ou
outra condição psicológica, não basta fazer psicoterapia esperando que,
ao longo das conversas, seja possível confirmar ou descartar um
diagnóstico. Nesses casos, o caminho adequado é uma avaliação
psicológica.
Isso não significa que uma pessoa que faz
psicoterapia nunca será avaliada. Durante o processo terapêutico, o
psicólogo faz observações clínicas importantes, mas elas não substituem
uma avaliação psicológica estruturada quando existe uma demanda
diagnóstica ou quando um documento técnico é necessário.
Da mesma
forma, fazer uma avaliação psicológica não substitui a psicoterapia. A
avaliação busca compreender e responder a uma questão específica; a
psicoterapia busca promover mudanças, oferecer acolhimento e ajudar a
pessoa a lidar com seus desafios emocionais e comportamentais.
Em resumo, podemos pensar assim:
Embora sejam serviços realizados pelo psicólogo, eles têm finalidades diferentes e um não substitui o outro.
Quando
existe dúvida sobre qual é o mais indicado, o próprio psicólogo pode
orientar a pessoa e encaminhá-la para o procedimento mais adequado às
suas necessidades.